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Primeiro trimestre (semanas 1 a 12 semanas)

Os órgãos do bebê se desenvolvem e devem estar completos ao final desse período: o feto se transforma de um óvulo em um organismo completo e complexo; células se multiplicam, migram e reagrupam-se, formando tecidos que se dobram e desdobram. As três camadas de células iniciais do embrião começam a diferenciar-se em células especializadas: sanguíneas, nervosas e renais. Surgem as características externas: face, olhos, orelhas, braços e pernas. Internamente: o coração é um dos primeiros órgãos reconhecíveis e começa a bater por volta da vigésima segunda semana após a fertilização. O cérebro; a medula espinhal; e os sistemas respiratório, gastrointestinal e urogenital começam a se desenvolver simultaneamente; o sistema músculo-esquelético inicia o seu desenvolvimento na segunda metade desse trimestre. O primeiro trimestre é também o período em que o bebê corre o maior risco de desenvolver problemas genéticos e/ou relacionados a fontes externas: infecção, radiação, desequilíbrios nutricionais e fatores que provocam defeitos congênitos; é nesse período também que ocorrem a maioria dos abortos, inclusive quando a mãe nem sabe que está grávida.

 

Segundo trimestre (13 a 24 semanas)

O crescimento do bebê é rápido e ele desenvolve a capacidade de executar atividades complexas e coordenadas. Esse é o período de maior atividade do feto: curvar-se, chutar, pular, flexionar-se, retorcer-se e fazer movimentos com as mãos (também como resposta ao cutucar do abdômen pela mãe); e também comportamentos como sugar, engolir, bocejar, consciência espacial e agarrar. Aparecem unhas, pele e pêlos do corpo; são produzidas as camadas protetoras de células e nervos; já existem óvulos ou espermatozóides; é capaz de produzir bile e urina e pode ouvir sons. O bebê vence a fase crucial do desenvolvimento, correndo menos riscos de ser afetado pela maioria das infecções e determinadas drogas, e de desenvolver anomalias congênitas. Os testes pré-natais podem detectar defeitos congênitos e o sexo da criança. Ao final desse período, o bebê é capaz de sobreviver fora do útero, com assistência especializada.

Terceiro trimestre (25 a 40 semanas)

O bebê ganha peso e desenvolve padrões de comportamento que irão prepará-lo para a vida fora do útero. Acumula gordura para manter-se aquecido, proteína para construir os músculos e tecidos, cálcio para desenvolver os ossos, e outros nutrientes para o organismo funcionar corretamente. Novas células e conexões estão sendo formadas constantemente; o córtex cerebral amadurece para que o bebê tenha consciência: significa que ele é capaz de sentir e lembrar (memória); a formação do pulmão só se completa no final desse trimestre. O sonho estimula o desenvolvimento do cérebro do bebê, motivo pelo qual ele pode passar a maior parte do tempo dormindo. Mãe e filho afeiçoam-se mutuamente: ao fornecer nutrientes e substâncias químicas que produzem sensações de prazer ou desprazer, a mãe cria um vínculo fisiológico com o bebê; quando a mãe alisa a barriga, transmitindo-lhe segurança, ela está manifestando um comportamento afetivo que é importante após o parto.

Fonte: A vida secreta do bebê!, de Stuart Campbell.


Depois dos 56 anos (II)

O ciclo de vida é composto por setênios, isto é, fases da vida que duram aproximadamente sete anos. Em cada fase acontece algo significativo em nossas vidas, essas fases são chamadas também de “passagens” ou “crises previsíveis” da vida. A vivência de cada fase depende da idade psicológica de cada indivíduo. Não podemos deixar de viver essas fases, apenas podemos postergá-las porém à custo de sofrimento decorrente de crise sobre crise. Então viva plenamente a fase em que você se encontra !

Para apresentar uma síntese de cada fase da vida menciono os estudos de Bernard Lievegoed e Gail Sheehy:

Os sessenta anos costuma marcar o início de uma lenta e gradual entrada para a aposentadoria, os hobbies e a sensação de inutilidade.

Um dos aspectos mais intimidantes dos sessenta anos para a mulher é a provável transição para a fase do morar sozinha: o divórcio ou a viuvez tardia tornar-se um acontecimento transformador para ela. O homem mais velho sem esposa é muito mais vulnerável do que a mulher viúva ou divorciada, sofrendo quase o dobro de depressão dos homens casados. O homem recém viúvo em depressão, pode ter alterações biológicas que o torna mais vulnerável a ataques do coração e outras enfermidades.

A partir dos sessenta e poucos anos, a sombra da idade avançada aparece: uma passagem desconhecida e profundamente significativa; a passagem para a iluminação, ou desespero. Os anos finais da vida são vivenciados de muitas maneiras diferentes: para alguns, há uma nova e profunda compreensão da realidade; para outros, é uma questão de se agarrar desesperadamente à vida que está gradualmente se apagando. As pessoas idosas que levam uma vida ativa gozam de melhor saúde do que aquelas que vegetam na frente da televisão ou do rádio.

Nessa fase ocorre a integração emocional de todos os papéis diferentes e das identidades que serviram o indivíduo durante a adolescência e a maturescência. Agora a pergunta é: qual é a essência de mim mesmo que quero deixar como lembrança? Ninguém pode ditar mais normas para o indivíduo na faixa dos sessenta anos; e não há mais ninguém a culpar. Ele possui sua própria integridade, ou seu próprio desespero.

A rápida capacidade de recuperação é uma proteção: capacidade de controlar seus primeiros impulsos e sentimentos desgovernados em qualquer tipo de crise emocional; isto é, o indivíduo atinge o domínio de si mesmo, o que permite o desenvolvimento de uma apreciação mais profunda das complexidades da vida humana.

À medida que o indivíduo envelhece, somam-se as consequências dos genes, do sexo, da raça, da classe, do estado civil, da renda e dos cuidados preventivos (ou negligência) com a saúde. Embora os genes em grande parte determinem a condição da saúde e longevidade, isso vale apenas até completar sessenta ou sessenta e cinco anos. A partir daí, se o indivíduo não tiver adquirido ou desenvolvido alguma enfermidade durante o período da meia-idade, dos quarenta e cinco aos sessenta e cinco anos, são o comportamento e atitude psicológica que determinarão com maior probabilidade a qualidade e a duração da terceira idade.

A fonte da vivacidade contínua está em encontrar sua paixão e persegui-la com o coração e um só propósito, ou seja, de corpo e alma. Se cada dia for um despertar, o indivíduo nunca envelhecerá; apenas continuará crescendo.


Depois dos 56 anos (I)

O ciclo de vida é composto por setênios, isto é, fases da vida que duram aproximadamente sete anos. Em cada fase acontece algo significativo em nossas vidas, essas fases são chamadas também de “passagens” ou “crises previsíveis” da vida. A vivência de cada fase depende da idade psicológica de cada indivíduo. Não podemos deixar de viver essas fases, apenas podemos postergá-las porém à custo de sofrimento decorrente de crise sobre crise. Então viva plenamente a fase em que você se encontra !

Para apresentar uma síntese de cada fase da vida menciono os estudos de Bernard Lievegoed e Gail Sheehy:

A partir dessa fase, a visão do indivíduo é voltada para dentro: é como se todos os valores da vida tivessem que ser vividos existencialmente. Algumas pessoas vivenciam essa fase como uma premonição; outras a vêem como uma série de tarefas a serem esperadas, com as quais prefeririam não ser confrontadas.

Para o homem, sua profissão frequentemente produz uma série de desilusões: ele tem de reconciliar-se consigo mesmo para abdicar daquilo que construiu por si só e que será continuado por aquele que o suceder; e somente agora este desprendimento se torna realidade, até o momento era apenas uma teoria. O homem precisa começar a preparar cedo os alicerces, no mínimo aos quarenta anos, para ter a flexibilidade de fazer importantes mudanças ocupacionais aos cinquenta e sessenta anos à medida que as condições as exijam. Em termos de desenvolvimento adulto, ele tem uma oportunidade maior de reavivar seu entusiasmo pela vida; a mudança despertará seu instinto de sobrevivência, estimulará seu cérebro e renovará os hábitos de raciocínio e comportamento que podem estar contribuindo para sua obsolescência prematura. Como está ficando mais difícil alcançar o sucesso material como resultado dos seus esforços, e como ser um bom funcionário já não tem aquele mesmo sentido de missão, as pessoas estão procurando significado e objetivo em outros setores, com frequência no terreno espiritual.

As duas fontes de poder masculino que o homem na meia-idade se preocupa mais em preservar são: continuar a ser valorizado no trabalho e na cama. A segurança sexual está ligada à segurança financeira para a maioria dos homens.

A menopausa masculina (andropausa) costuma ser: uma pausa na virilidade e na vitalidade que é alarmante a princípio, mas não se torna necessariamente permanente. É uma passagem silenciosa carregada de segredo, vergonha e negação. O homem que tem medo do próprio desempenho procura se afastar da intimidade: para de dar abraços, de ficar de mãos dadas, torna-se socialmente isolado; e depois de algum tempo desenvolve o hábito da impotência (fator psicológico). O homem de uma certa idade para de se vangloriar das suas conquistas, ou pode fazer piadas; e ele também, assim como a mulher, é vulnerável ao desparecimento dos olhares de admiração. O homem que sempre confiou na beleza e na força para a conquista sexual é, especialmente, atingido pela indiferença das mulheres mais jovens. Aquele que continua a afogar seu estresse no hedonismo sexual irá previsivelmente enfrentar a passagem mais turbulenta na passagem dos sessenta anos, da mesma maneira que a mulher mais infeliz com a chegada da menopausa é a que sempre investe na aparência.

O verdadeiro alívio que o homem encontra ao fazer a passagem para a segunda metade da vida adulta é que não precisa mais continuar a se provar como um jovem garanhão; o homem que cultivou novos papéis, tornando-se “pai” para a comunidade e um avô para a família, que saboreia a liberdade de explorar o mundo com sua mulher segura ou seu homem seguro, e que talvez descubra um companheirismo espiritual mais profundo, pode ser capaz de renunciar ao status do papel profissional, sem se sentir extinto.

As normas culturais exigem do menino uma ruptura emocional com a mãe e, no processo, ele aprende a se desligar de todo o mundo das emoções que existe nos relacionamentos; mas quando o homem começa a se interessar pela decoração do jardim, retoma o gosto por um instrumento musical, procura acertar um relacionamento desgastado, tenta refletir sobre sua própria vida ou se ligar à espiritualidade, está ocorrendo uma reorganização em sua personalidade. O homem mais feliz deixa de dedicar a maior parte da sua energia à competição e à conquista sexual para se devotar à busca de intimidade emocional, confiança, companheirismo e comunhão com os outros. Essa é a tarefa essencial para o homem na meia-idade: passar da conquista para o vínculo ou conexão. À medida que o homem envelhece, ele continua se identificando como macho, mas a necessidade anterior de estar sempre se provando por meio de conquistas sexuais e agressivas decai; ele fica mais consciente da vulnerabilidade humana, e se descobre procurando oportunidades para a proximidade em vez da procura de diferenças; reconhece a presença de uma vida interior e começa a prestar atenção às suas mensagens encobertas; fica visivelmente mais expressivo e sensual, mais gregário e simpático; se sente mais livre para se expressar de forma criativa, para experimentar suas emoções, apreciar esteticamente o ambiente, ser mais artístico, suave e atencioso. Ele troca a competição pela conexão ou vínculo: aberto para dar e para receber. O homem que permite que esta mudança natural aconteça se torna mais valioso como líder, gerente, administrador, marido, pai e amigo; e demonstra aumento da saúde psicológica.

Ocorre uma grande mudança naquilo que o homem valoriza num relacionamento quando entra na segunda maturidade e nos estágios posteriores. A necessidade de intimidade e companheirismo ofusca a importância do sexo. Intimidade é: união, carinho emocional, ternura, piadas só dos dois e aceitação mútua das vulnerabilidades.

A paternidade tem um impacto significativo na saúde mental e física de muitos homens: pais que fazem alto investimento no trabalho, mas que também dão atenção aos filhos e passam um tempo significativo com eles, ainda podem ter um efeito importante sobre o bem-estar emocional dos filhos(as) e, por extensão, sobre seu próprio bem-estar emocional. A maioria desses pais estão na casa dos vinte e trinta anos; mas há também os pais com seus quarenta e cinquenta anos, criando segundas famílias.

O homem que consegue efetuar a transformação da personalidade da conquista para a criação de vínculos ou conexão pode criar uma rede de amigos ou um grupo de homens como fontes de intimidade transformando-se em “salva-vidas”; no entanto, o maior fator para proteger o homem mais velho da depressão e prolongar sua vida pode ser a esposa: ajudando-o a descobrir aspectos dele mesmo que nem sabia que existia.


49 a 56 anos (IV)

O ciclo de vida é composto por setênios, isto é, fases da vida que duram aproximadamente sete anos. Em cada fase acontece algo significativo em nossas vidas, essas fases são chamadas também de “passagens” ou “crises previsíveis” da vida. A vivência de cada fase depende da idade psicológica de cada indivíduo. Não podemos deixar de viver essas fases, apenas podemos postergá-las porém à custo de sofrimento decorrente de crise sobre crise. Então viva plenamente a fase em que você se encontra !

Para apresentar uma síntese de cada fase da vida menciono os estudos de Bernard Lievegoed e Gail Sheehy:

A menopausa pode ser definida como o fim dos ciclos menstruais e o encerramento da vida produtiva da mulher, mas é também uma passagem espiritual e psicológica de profundo significado. A mulher que dedica tempo a avaliar onde se encontra em termos físicos, psicológicos, espirituais é a que passará adiante.

Para a mulher que trilha o caminho negativo, este se reflete da seguinte forma: a menopausa terminou; sua vitalidade retornou, frequentemente em forma mais acentuada; mas ela não encontrou nenhuma saída nova e reclama; se atira nos cuidados com a casa; tiraniza qualquer um que se aproxime; queixa-se de que é vítima do trabalho que realiza…

A menopausa pode ser dividida em três fases. A primeira fase é a do pânico da pré-menopausa: a maioria das mulheres não sabe que a intensidade dos calores, sintomas emocionais e problemas de hemorragia ocorrem meses ou anos antes da real ocorrência da menopausa. A pré-menopausa é muito parecida com a puberdade: os altos e baixos nos hormônios são sérios e imprevisíveis. Pode ter efeitos: no sono, na temperatura, no apetite, na libido, nos ciclos menstruais, e no estado de espírito. E depender do médico propicia o ressentimento; já a independência gera o crescimento. Nesse período, a mulher pode estar numa transição normal: se sente vacilante, e precisa de informações sobre o assunto; ou os sintomas emocionais podem resultar de perturbações hormonais: talvez se beneficie com as pílulas anticoncepcionais; ou pode ser uma crise da meia-idade: a mulher tem conflitos ou traumas psicológicos não-resolvidos que precisam ser tratados antes que possa seguir em frente; ou ainda, pode ser algum problema de natureza bioquímica que provoca a agitação e a depressão na mulher: se sente zangada, confusa, e a agitação máscara a depressão.

A segunda fase em que o pior já passou: o ano em que o ciclo menstrual da mulher é interrompido. Há um período de luto: choro pelas coisas que não poderá mais fazer; por outro lado, as coisas não incomodam por tanto tempo, seleciona-se, acapacidade para relaxar é maior… A reposição hormonal para substituir o que o corpo produz não é para todas as mulheres (mas é algo que toda mulher deve considerar). As duas principais razões pelas quais a mulher resiste ao tratamento com hormônios ou o interrompe são o ganho de peso e o medo do câncer de mama (é prudente consultar as pesquisas recentes sobre o assunto).

A terceira fase é a pós-menopausa: a animação pós-menopáusica trata-se de um tipo de energia especial e animada, abastecida em parte pela mudança na proporção da testosterona e do estrogênio. Atravessada a passagem da menopausa não há mais o receio de engravidar e das oscilações mensais de humor. Livre da definição que a sociedade faz da mulher como objeto sexual e procriadora, ela pode integrar os aspectos masculino e feminino da sua natureza: agora a mulher pode reivindicar o direito de dizer o que realmente pensa. A menina rebelde volta com uma paixão pela aventura e muitas vezes ressurge a tendência ao atletismo; além de ser provável que ela assuma riscos nas suas carreiras e amor.

Quanto ao homem, à medida que o metabolismo masculino se desacelera, sua resistência e energia baixam, e o bem-estar e a confiança em si mesmo ficam comprometidos. Estudos revelam que treinamento de resistência associado à aeróbica conseguem reconstruir a força muscular, facilitar a perda de quilos e centímetros e melhorar o desempenho físico e sexual do homem. A depressão não tratada está relacionada ao surgimento do câncer. O câncer da próstata é uma doença curável em 80% dos casos, se detectado precocemente: mas cerca de trinta e cinco mil homens morrem por ano literalmente de vergonha, em sua maioria humilhados pela simples ideia de se submeter ao exame de toque anal que, associado a um exame de sangue, poderia ter detectado um tumor maligno enquanto ainda contido na glândula da próstata.

O homem teme a morte mais que a mulher: o risco de morrer é maior para ele do que para ela. É uma luta que o indivíduo enfrenta dentro de si mesmo: a de aceitar suas próprias limitações e, em última análise, sua mortalidade. Aos cinquenta anos, algumas pessoas parecem mais serenas a respeito da mortalidade. Muitos homens, no entanto, não reagem positivamente a esse impulso interior no sentido da transformação: na sua percepção, a transformação equivale à perda, renúncia, decadência, e desaceleração; resistem à oportunidade de desenvolver as emoções e a intuição. As crises são portais: as mudanças precisam se embasar não no medo de morrer, mas na alegria de viver.


49 a 56 anos (III)

O ciclo de vida é composto por setênios, isto é, fases da vida que duram aproximadamente sete anos. Em cada fase acontece algo significativo em nossas vidas, essas fases são chamadas também de “passagens” ou “crises previsíveis” da vida. A vivência de cada fase depende da idade psicológica de cada indivíduo. Não podemos deixar de viver essas fases, apenas podemos postergá-las porém à custo de sofrimento decorrente de crise sobre crise. Então viva plenamente a fase em que você se encontra !

Para apresentar uma síntese de cada fase da vida menciono os estudos de Bernard Lievegoed e Gail Sheehy:

Para o homem que atravessou a crise dos quarenta, os anos cinquenta são uma liberação. O horizonte se expande, novos problemas de significado se tornam visíveis. A vida se torna mais interessante, a distância para os pequenos problemas diários aumenta. O interesse na filosofia por trás da política é despertado e há um novo e profundo sentimento de alegria em ver os jovens crescendo em sua fase expansionista. O resultado é que esta pessoa pode dar conselho e apoio de uma maneira totalmente nova e aceita. O homem que continua crescendo mental e espiritualmente, vive na metade dos cinquenta um segundo pico em sua vida criativa. Ele já revisou e ordenou sua experiência, mas ainda tem a vitalidade para expressar esta ordem em seu trabalho. A masculinidade madura é igual a autoconfiança: masculinidade também significa cuidar, alimentar e proteger.

Para a mulher que atravessou a crise dos quarenta com uma visão positiva da vida, encontra uma nova tarefa na vida social, ou assume a jardinagem com novo entusiasmo, ou volta a um instrumento musical esquecido, ou se torna avó… Para o casal sem filhos, os instintos generativos são canalizados e concentrados um no outro.

O indivíduo que chega aos cinquenta anos tendo desdenhado as oportunidades para reavaliação na passagem da meia-idade pode assumir a atitude conhecida e obstinada de defensor do status quo; outra figura conhecida é a do garotão de meia-idade que nega sua idade e, portanto, sua experiência: o homem que usa costeletas, o professor que abraça o evangelismo dos jovens e o estilo de vida um revolucionário…, na figura feminina temos: a mulher que usa botas de cano alto. Por outro lado, o indivíduo que viu, sentiu e incorporou suas verdades durante a passagem da meia-idade não espera mais o sonho impossível, nem protege uma posição inflexível: sabe o que funciona, toma decisões com economia de ação, desenvolve um julgamento baseado tanto pela experiência interna quanto externa.

É a própria visão que o indivíduo tem de si mesmo que determina a riqueza ou o pauperismo da meia-idade. As pessoas que olham a idade com naturalidade não esperam que seus corpos funcionem perfeitamente depois dos quarenta anos sem ajuda. As percepções da meia-idade possuem sua própria luminosidade. Há várias funções influenciadas pela vida interior do indivíduo, como o conhecimento e a experiência, que realmente compensam o declínio biológico: a nova pessoa de meia-idade não se considera um doente; pessoas com alto nível educacional mostram pouco ou nenhum declínio da capacidade de aprendizagem com a idade; é a ausência de rapidez, e não a exatidão, que responde pelo declínio, quando existe; é na capacidade de absorver material pouco familiar ou inaplicável que se observa uma perda perto do fim da vida.

Uma das recompensas consiste em se chegar a auto-aprovação ética e moral, independente dos padrões e das agendas de outras pessoas. Ao deixar de lado o desejo de que os pais fossem diferentes, e navegar por vários estilos de vida, até aquele ponto de dignidade que vale a pena defender, pode-se alcançar a integridade. A realização desse passo pode significar romper um modelo de vida que não foi satisfatório: tomar consciência do próprio estilo de vida, de modo a contorná-lo ou modificá-lo. Se o indivíduo não muda, não cresce; se ele não cresce, não está realmente vivendo. O crescimento exige uma renúncia temporária à segurança: uma renúncia a modelos familiares limitativos; trabalho seguro mas não recompensador; valores em que não se acredita mais; relacionamentos que já perderam seu significado.

Se a força física e os prazeres dos sentidos forem considerados os maiores prazeres da vida, então o indivíduo se nega ser, após a juventude, qualquer coisa senão um fracasso. Se ele não encontra nada que substitua a acumulação de bens e êxitos, então ele se prende à rotina. No entanto, a alegria da autodescoberta está sempre à disposição; ainda que entes queridos saiam e entrem da sua vida, a capacidade de amar permanece. O poder de animar todas as fases da vida é um poder que vive dentro de si mesmo.


49 a 56 anos (II)

O ciclo de vida é composto por setênios, isto é, fases da vida que duram aproximadamente sete anos. Em cada fase acontece algo significativo em nossas vidas, essas fases são chamadas também de “passagens” ou “crises previsíveis” da vida. A vivência de cada fase depende da idade psicológica de cada indivíduo. Não podemos deixar de viver essas fases, apenas podemos postergá-las porém à custo de sofrimento decorrente de crise sobre crise. Então viva plenamente a fase em que você se encontra !

Para apresentar uma síntese de cada fase da vida menciono os estudos de Bernard Lievegoed e Gail Sheehy:

No âmbito do casamento, em meados dos quarenta anos, há um aumento na satisfação para os casais que sobreviveram juntos à passagem da meia-idade. Constata-se uma tolerância que pode tornar-se espontânea assim que cessa as projeções das insatisfações interiores no cônjuge. O aumento da satisfação se estabiliza depois dos cinquenta anos em um nível mais alto: oportunidade do verdadeiro companheirismo, partilha de interesses, respeito pela privacidade… À medida que a idade aumenta, diminui a tendência para se comparar aos outros. O indivíduo se torna mais preocupado com a vida interior, beneficiando-se com as duas características da maturidade: percepção e interesse filosófico. Na caminhada para essa interioridade o indivíduo se vê desfrutando de um positivo alheamento em relação aos outros: o(a) parceiro(a) é visto(a) como uma valiosa companhia, ao invés de um “pai-substituto” ou “mãe-substituta”; isso não significa que se perde o interesse pelos outros.

 O indivíduo que chega aos cinquenta anos sem vínculos, seja por divórcio, seja por nunca ter se casado, é propenso a viver uma “maturescência” perene: surge um sentimento ambivalente quanto a percorrer o caminho sozinho; isso vale especialmente para o homem. Homens e mulheres na faixa dos quarenta anos costumam formar círculos segregados em termos sexuais. Como o grupo de homens que durante o dia fazem comparações e competem a respeito do último equipamento que compraram, se gabam das férias que tiram e das mulheres que conquistam, ou mentem sobre as que não conquistam; mas que no entanto, após o expediente de trabalho, eles encaram a dolorosa lembrança do que não têm: uma casa de verdade para a qual possam voltar. Para anular o vazio, esses homens passam diversas noites por semana numa academia, em atividades físicas… Mesmo assim, resta a noite de sexta-feira: eles se encontram para trocar banalidades e contar histórias dos seus encontros, mas principalmente eles param de “fingir”. E há também o grupo de mulheres que tagarelam sobre o último relacionamento desastroso antes do próximo encontro com um desconhecido. Elas emanam segurança, alegria e energia sexual; acordam cedo e fazem ginástica. Elas percebem que há homens com quem saem umas semanas e eles já querem saber quando vão se mudar para viverem juntos; dentre os quais, há aqueles que querem uma resposta rápida para poder passar para a mulher seguinte; e há aqueles que são carentes ou têm fobia de assumir qualquer compromisso.

O homem divorciado enfrenta dificuldade para conseguir a nutrição emocional necessária para seu sustento; costuma se retrair; entrar em depressão; se fechar; sua saúde é atingida; e questionam seu próprio valor. A mulher divorciada se sai melhor que o homem em termos de satisfação global com a vida; se queixa e lamenta o futuro sozinha, mas não suporta um novo casamento tradicional; se vicia no trabalho para amenizar a solidão. Por outro lado, o indivíduo que se vê solitário na meia-idade talvez esteja disposto a concordar que aprender a viver sozinho não é apenas provisoriamente bom; pode ser também essencialmente bom. Para o homem, os namoros na meia-idade são a repetição da adolescência: os mesmos medos; as mesmas emoções que vão da audácia ao embaraço, do enlevo à degradação, da paixão ao desespero. O maior risco para esses homens sem vínculos nesse estágio da vida é que a mulher os rejeite e que toda a aura de sucesso e confiança arrogante possa se desfazer. Eles chamam de “esquisito” a tudo o que eles não conseguem tolerar na mulher contemporânea; e encontrar um defeito na mulher é só uma desculpa para não assumir nenhum compromisso.

Tanto para o homem quanto para a mulher, um casamento de envolvimento com o melhor amigo(a) é um dos melhores indicadores de bem-estar. Ninguém ama alguém pelo seu trabalho; as pessoas podem admirar alguém, sentir atração por ele(a), invejá-lo(a), e até querer dormir com ele(a) para provar alguma coisa, mas nem o produto mais deslumbrante do trabalho aproxima as pessoas de alguém.


49 a 56 anos (I)

O ciclo de vida é composto por setênios, isto é, fases da vida que duram aproximadamente sete anos. Em cada fase acontece algo significativo em nossas vidas, essas fases são chamadas também de “passagens” ou “crises previsíveis” da vida. A vivência de cada fase depende da idade psicológica de cada indivíduo. Não podemos deixar de viver essas fases, apenas podemos postergá-las porém à custo de sofrimento decorrente de crise sobre crise. Então viva plenamente a fase em que você se encontra !

Para apresentar uma síntese de cada fase da vida menciono os estudos de Bernard Lievegoed e Gail Sheehy:

No final da década dos quarenta, a intensidade da crise diminui e fica evidente se o indivíduo encontrou algo novo. Do contrário, as fases vindouras se tornam uma trágica linha de declínio da vida: o indivíduo se agarra cada vez mais ao seu trabalho; e todo homem capacitado mais jovem torna-se uma ameaça; ele não é mais capaz de usar e adaptar-se a situações novas.

O “devo” dos vinte anos, que dá lugar ao “quero” dos trinta, torna-se o “preciso” aos quarenta: grande parte do “eu preciso”, particularmente quando se estende aos cinquenta anos, tem relação com os hábitos e experiências formativas dos primeiros anos. Interesses secundários manifestados num período anterior da vida podem florescer na meia-idade e na velhice e se transformar numa atividade séria. É preciso que a mulher encontre um meio de sobrevivência independente antes que o “ninho vazio” torne seus sentimentos supérfluos. Do contrário, ela pode deixar que seus medos ditem o próprio futuro que ela receia: tornar-se desamparadamente dependente da saúde e da constância do marido e de seus filhos crescidos. Toda mulher teme tornar-se a viúva que embarca na vida familiar de seus filhos casados, ou que caminha dizendo que eles (os filhos) têm suas próprias vidas. Não importa se a mulher tem dinheiro suficiente ou não, ela é alguém esperando a morte.

Um número grande de pessoas estão preferindo aceitar a aposentadoria precoce, desde que não signifique uma queda substancial em seus rendimentos. Isso constitui outra razão pela qual o indivíduo deve recorrer a seus próprios recursos e lhes dar novas utilizações antes de que o primeiro objetivo de suas vidas chegue ao fim.

O segredo na procura pelo significado está em descobrir sua paixão e ir atrás dela. Algumas mulheres fazem mudanças dramáticas na vida: voltam a estudar, começam uma nova carreira, criam novos sonhos, ou abandonam um casamento em que não pode crescer; outras, querem fazer uma mudança de carreira mas acham que não podem; outras ainda, têm emprego de baixa remuneração e se sentem encurraladas pela instabilidade financeira ou preocupadas com problemas familiares. As mulheres que estão infelizes nessa fase, se sentem só e/ou gorda; quando enfrentam situações difíceis, geralmente fingem que não há problema algum, comem ou bebem em excesso; predisposição ao cansaço; insônia; dores de cabeça; ansiedade… Por outro lado, as mulheres que estão felizes, praticam exercícios para manter a saúde e aumentar a resistência; tinge o cabelo; faz massagens; pratica ioga; poucas se submetem à cirurgia plástica… O homem se preocupa com a calvície, a redução da sua força física; crescimento da barriga… A maioria deles parecem mais resignados em aceitar a vida do jeito que ela é: não prevêem nenhuma mudança importante ou estão preocupados apenas com a sobrevivência; sentem-se cansados.

O homem tradicional costuma ficar estressado por estados emocionais intensos que mal compreende e vivencia esses sentimentos apenas como sensações físicas: dores de cabeça, má digestão, dor nas costas, formigamento nas extremidades ou sensação de tédio. Mesmo se reconhecer o sentimento subjacente, é raro que disponha do vocabulário para expressá-lo. Sentimentos ocultos dificilmente conseguem ser transmitidos de forma adequada.

A tarefa a ser cumprida nessa transição não é apenas psicológica; é também espiritual: o desejo de integrar os aspectos díspares de nós mesmos, o anseio pela unidade, a necessidade de saber a verdade. Ocorre um despertar da reverência diante da arte e da natureza. É presente a sensação de que o tempo está ficando curto e de nada adianta esperar para acertar velhas contas: é hora de perdoar o pai distante, abraçar o irmão afastado, abandonar as decepções com o filho… Essa passagem permite a abertura para novas maneiras e mais significativas de viver. Perdas involuntárias podem se tornar o catalisador para transformações voluntárias no lado prático da vida: o esforço para se ligar aos outros; valores congruentes com os atos; hábitos para uma saúde melhor; responsabilidade para com a nova geração, o país e o planeta; amizades aprofundadas; a satisfação de orientar; a liberdade de explorar a criatividade inata. A transformação da meia-idade consiste em passar para um estado de serenidade psicológica mais estável, no qual se pode controlar parte do que acontece na vida e, com frequência, pode exercer influência no mundo, em vez de reagir habitualmente ao que o mundo possa lançar sobre o indivíduo. Isso significa descartar todos os velhos estereótipos, abandonar prioridades obsoletas e desenvolver uma verdadeira clareza quanto ao que é mais pertinente na vida para o futuro.

O início da sabedoria consiste em reconhecer que aspectos como títulos no emprego e rótulos ultrapassados não definem o indivíduo e são efêmeros: o que precisa acontecer é um trabalho interno intencional, não uma transformação externa como mudar de cidade, abandonar uma carreira ou um casamento que poderia ter valido a pena preservar… A mulher tem maior probabilidade de desenvolver suas funções de pensamento racional e apreciar a ampliação de seus poderes para um campo mais vasto, enquanto o homem costuma ser atraído para seu íntimo, do pensamento para o sentimento.


42 a 49 anos (IV)

O ciclo de vida é composto por setênios, isto é, fases da vida que duram aproximadamente sete anos. Em cada fase acontece algo significativo em nossas vidas, essas fases são chamadas também de “passagens” ou “crises previsíveis” da vida. A vivência de cada fase depende da idade psicológica de cada indivíduo. Não podemos deixar de viver essas fases, apenas podemos postergá-las porém à custo de sofrimento decorrente de crise sobre crise. Então viva plenamente a fase em que você se encontra !

Para apresentar uma síntese de cada fase da vida menciono os estudos de Bernard Lievegoed e Gail Sheehy:

Nessa fase, a mulher se angustia: infertilidade; e o homem se apavora: impotência.

O homem e a mulher são mais parecidos antes de nascerem, aos dezoito anos e depois dos sessenta. Entre os dezoito e sessenta anos, encaminham-se rumo à pólos opostos que chegam ao extremo mais ou menos aos quarenta anos; na faixa dos vinte anos, eles começam a se separar em todos os sentidos: em capacidade sexual e em disponibilidade para o sexo (principalmente devido à maternidade), em papéis sexuais, em características de personalidade, e na consciência geral que têm de si mesmos.

Na pré-menopausa a mulher pode reclamar ou sentir: nervosismo e irritabilidade; a coluna rígida; dores relâmpagos ou constantes nos braços e pernas, causando insônia; dores de cabeça; articulações inchadas, especialmente nos dedos; palpitações cardíacas… A mulher começa a frequentar o salão de beleza para um rejuvenescimento, espera passar por irmã mais velha das filhas, deseja ser jovem novamente…

A pré-menopausa masculina (pré-andropausa) toma um rumo diferente: as necessidades sexuais aumentadas, geralmente ocorrem no meio da década dos quarenta; desassossego mental, provavelmente influenciado pelas mudanças hormonais; falta de estabilidade emocional; súbito lacrimejar dos olhos ou um nó na garganta quando algo toca as emoções; ataques e palpitações (taquicardia) que duram de poucos minutos a um quarto de hora, causando abalo mental… Na psique há o conflito entre o anseio de ser jovem novamente e, de outro lado, o desejo de avançar para o verdadeiro tema da vida: o “eu superior” (essência). O desejo de ser jovem novamente pode levar à projeção externa dessas necessidades: uso de roupas extravagantes e de estilo jovem, caminhar com agilidade, tentar ser a alma da festa…

A menopausa masculina (andropausa), que dura de de cinco a doze anos, é um fenômeno que tem componentes físicos, hormonais, psicológicos e sociológicos. Diante de uma mudança nos seus hábitos ou desempenhos sexuais, o homem se sente constrangido e envergonhado.

Quanto mais tempo esse problema permanecer sem ser discutido pelo casal, eles se alienam de todas as formas de intimidade devido a essa paralisação sexual: deixam de se abraçar; de ficar de mãos dadas; não se tocam mais; dormem em camas separadas, em quartos separados; vivem vidas separadas. Fazer sua obrigação, e não falar sobre o colapso da sua auto-estima, é uma atitude masculina muito comum nessa fase. Mas nenhum homem deve desperdiçar sua vida simplesmente esperando que as coisas se resolvam.

Alguns homens literalmente precisam de uma “queda”, como um colapso físico ou um mergulho mental na depressão, antes de conseguirem se permitir fazer uma mudança importante. Mudar dói, mas se o homem aceita o desafio, aos quarenta anos, pode dar um salto na masculinidade combinando o máximo dos seus instintos biológicos com uma nova potência psicológica.

A “impotência” resulta, em mais de 90% dos casos, de uma combinação de ignorância e ansiedade sexual masculina. Mais do que qualquer flutuação no nível hormonal, é a ansiedade e o medo de perder seus poderes masculinos, que frequentemente pode tornar mutilante a primeira vez em que o homem não consegue uma ereção; até uma leve sugestão de que sua capacidade sexual esteja diminuindo pode transtorná-lo e levá-lo a uma repetição daquilo que frequentemente lhe parece um fracasso humilhante. O homem observa que agora lhe é necessário mais tempo para se excitar; pode levar minutos ou mais para chegar à ereção; uma segunda ereção é mais lenta… Ele faz comparações com a adolescência: continuar a fixar o ideal da adolescência deixa o indivíduo despreparado para o período do ciclo de vida não reprodutivo. Essas comparações podem fazer com que ele passe a acreditar que está caminhando para a aridez sexual terminal; e ao tentar forçar, pela força de vontade ou outros meios, uma ereção que julga ser inatingível, ele se torna candidato à impotência secundária.

O homem começa a perceber seu próprio lado feminino nesse período, ele também se sente ameaçado pelo comportamento ativo que começa a apontar em sua parceira. Se o homem não compreende ou não aceita esse processo, pode chegar a um trancamento das emoções; e as apreensões sexuais só agravam a situação. Na perspectiva do homem: à medida que a natureza estreita o potencial sexual dele, uma mulher ansiosa e experimentada de sua própria idade sabe demais. A defesa mais óbvia consiste em descobrir uma maneira de “miniaturizar” a mulher: procurar mulheres mais jovens e mais superficiais; desumanizar as mulheres, vendo-as como objetos a serem usados e descartados; contratar prostitutas e massagistas; competir seduzindo amigas ou mulheres de outros homens; fetichismo sexual… Faz tudo isso na esperança de que sua capacidade sexual em declínio seja restaurada: às vezes ajuda a dissipar a ansiedade; às vezes é uma experiência infeliz e triste; às vezes descobre que a aventura os reduz à flacidez com sua esposa. Em qualquer dos casos, o homem fica perplexo, envergonhado e assustado.

As mudanças intranquilizantes, em seu sentido de identidade e em todas as demais áreas, afetam a confiança sexual de um homem. Ele pode ocultar à sua parceira uma libido em declínio provocando uma briga com ela e depois se refugiando; ou se põe a trabalhar exageradamente até a exaustão; ou fica psicossomaticamente doente, tudo para explicar por que não pode fazer amor no fim de semana. O homem pode refugiar-se no trabalho obsessivo, mas há outros sintomas como caminhar ansiosamente durante horas a noite, lassidão, fadiga matinal e/ou crônica, vagas dores e dores de cabeça, nervosismo, irritabilidade, fases depressivas, crises de choro, lapsos de memória, frustração, tonturas, calafrios, suor, entorpecimento, formigamento nas mãos e nos pés, aceleração da pulsação, palpitações cardíacas, declínio da estabilidade psicológica…

No ambiente profissional, seus colegas de trabalho notam seu comportamento, e o homem se irrita com eles; os colegas começam a se preocupar com suas possibilidades de levar a bom termo o trabalho e os “competidores” podem usar esse comportamento como arma contra ele; em casos extremos pode levar a discussões, defesas violentas e até assassinato.

A atitude menos provável de um homem é descrever a um médico seu verdadeiro dilema: uma incapacidade real ou imaginária de estar à altura dos padrões de virilidade impostos pela sociedade. Um homem de boa saúde não precisa jamais perder a capacidade de ereção. Há vantagens para o homem que se permite desfrutar sua maturidade sexual: a relação sexual prolongada lhe ocorre naturalmente. Um homem de meia-idade com boa educação sexual e experiente pode ser magnífico amante: seus poderes amadurecidos de dar ternura e receber amor, e o prolongamento do seu próprio estado de excitação, adiando a ejaculação enquanto leva a companheira ao êxtase repetidamente. Mas ele deve saber que: a mulher não tem a obrigação de gozar repetidamente para satisfazer à masculinidade do homem; qualquer expectativa rígida de um bom desempenho sexual é incompatível com o bom sexo. O homem se torna capaz de uma intimidade mais profunda, ou seja, a intimidade não floresce em presença da necessidade de provar machismo.

A mulher com boa saúde, nessa fase, experimenta o redespertar do desejo sexual e da capacidade orgásmica, assim como grande entusiasmo por canalizar sua criatividade para novos objetivos. Tanto para o homem como para a mulher, a continuidade das relações sexuais constitui a chave para uma vigorosa expressão sexual.

No âmbito da maternidade, um número significativo de mulheres prefere não ter filhos: por não poderem tê-los (biologicamente), por darem precedência à carreira, o parceiro certo nunca aparece, ou não existe o desejo da maternidade. No entanto, para cada mulher que aceita as consequências de sua decisão, há outras que parecem acreditar que podem protelar indefinidamente a decisão de ter um filho.

A mulher que entra na meia-idade com a ilusão de que a tecnologia lhe permitirá o controle sobre a maternidade, e não consegue engravidar, costuma sofrer depressão, além da tristeza pelas múltiplas perdas pessoais: um filho, um sonho, um novo amor compartilhado com o marido… Na tentativa de engravidar, é comum que a mulher e o parceiro deixem a vida em suspenso: desistem de voltar a estudar, de vender a casa, ou mudar de carreira, porque estão em compasso de espera. A repetição dos fracassos pode ser devastadora para o sentido de valorização da mulher e pode levar à negação ou a tratamentos inúteis.

A menopausa chega lentamente para a mulher; e na maioria, elas pensam que enquanto estiverem menstruando regularmente (a cessação real do mênstruo só ocorre mais tarde), não estão na menopausa. A grave depressão experimentada por cerca de 10% das mulheres tem sido neutralizada pelo aumento de oportunidades e opções disponíveis à ela e por uma profunda mudança de atitude diante da vida. Quando a vida reprodutiva da mulher termina, ela está livre para redirecionar sua criatividade para uma esfera mais pública: generatividade; ou para a expressão artística. Porém, a fixação no prolongamento da fertilidade e a perpetuação do impulso competitivo da juventude para produzir um filho perfeito ameaçam substituir a generatividade pelo narcisismo: desumanização da mãe e da criança.

É preciso aceitar as realidades de cada estágio da vida: ao renunciar à fertilidade com plena consciência, tem-se a oportunidade de substituir o que quer que se tenha sacrificado, por algo melhor.


42 a 49 anos (III)

O ciclo de vida é composto por setênios, isto é, fases da vida que duram aproximadamente sete anos. Em cada fase acontece algo significativo em nossas vidas, essas fases são chamadas também de “passagens” ou “crises previsíveis” da vida. A vivência de cada fase depende da idade psicológica de cada indivíduo. Não podemos deixar de viver essas fases, apenas podemos postergá-las porém à custo de sofrimento decorrente de crise sobre crise. Então viva plenamente a fase em que você se encontra !

Para apresentar uma síntese de cada fase da vida menciono os estudos de Bernard Lievegoed e Gail Sheehy:

No âmbito da família natal do homem, a transição para o início da meia-idade é em geral um misto de contradições interiores. É um período confuso entre filhos e pais: se o pai nunca teve confiança em si mesmo como homem, vai encontrar um jeito de continuar a impedir o pleno desenvolvimento do filho adulto com esnobadas sutis ou críticas diretas, advertindo-o que “seja um homem”; mesmo um pai mais seguro pode oscilar entre confirmar a sua autoridade, buscando uma reafirmação, ou se afastar. É preciso haver uma mudança essencial no equilíbrio de poder entre pai e filho, e com frequência esta é uma transição dolorosa para ambos. Alguns se sentem divididos entre a necessidade de demonstrar a sua independência e o seu anseio de ter uma prova de amor e aceitação do pai antes que seja tarde demais (morte). Outros, saem de casa fisicamente, mas não se sentem adultos; além disso eles não querem crescer. Aqueles que demoram para sair da casa dos pais é porque ainda não encontraram uma sólida orientação na sua carreira, ou não conseguem achar (ou manter) uma esposa, portanto permanecem entre ser o filho favorecido e o adulto “em teste”. Eles não cumpriram a primeira tarefa para o desenvolvimento adulto: cortar as raízes.

Para o casal com filhos, após todos os anos dedicados em construir a carreira, o homem muitas vezes retorna ao “ninho” para retomar o “contato humano” justamente no momento em que seus filhos estão revoltados: ele, o pai, precisa saber que é importante para os filhos; mas ele é convocado a renunciar ao carinho de um filho ou de uma filha. Para a mulher, a perda de seus poderes de procriação a obriga a reorientar suas energias: libera-se uma nova espécie de criatividade. O esvaziamento do “ninho” liberta a mulher para estender seu interesse pelas futuras gerações, pela reforma política local, para movimentos nacionais e congressos internacionais, para a proteção da espécie…

Para o casal, há a sensação de estagnação que o marido sente em contraste com a habitual sensação de liberdade ilimitada da esposa. Qualquer que seja o patamar que ele tenha atingido, é uma sequência interminável de atos repetitivos; ele provavelmente pensa que continuar o mesmo, e esconder seus sentimentos e frustrações, é ser másculo. A mulher pode se entediar com um marido ou pai de família estável e de horizontes estreitos: toda a sua identidade está ligada ao status que adquiriu até o momento. E o marido sente, agora, inveja da esposa: da visão ampliada que ela tem de si mesma e do entusiasmo que sente com o desenvolvimento dos seus poderes; a excitação que ela encontra em sua auto-expressão faz com que muitas vezes o marido sinta (erroneamente) que está sendo desdenhado. Muitos homens concordam com tudo isso depois de terem deixado a depressão e a melancolia.

Da mesma forma que a mulher vê o homem verdadeiro por trás de quaisquer máscaras de força e heroísmo que ela possa ter projetado em “seu marido”, ele também deve levar em conta a mulher emergente que não é mais contida por suas fantasias sobre a “sua mulher”. Da mesma forma que ele tem de renunciar à idealização confinante da “mãe-esposa”, também ela tem de abrir mão da ideia de que possui um “pai-amante” que jamais deveria ter dúvidas ou vacilar em suas obrigações. Ela está pronta para se afirmar, voltar à estudar, arranjar um emprego, ser dona de seu nariz, da mesma forma que ele está batendo em retirada, recuperando o fôlego, sentindo desinteresse por tudo que fez e inseguro quanto a simplesmente manter o emprego e funcionar na cama.

Há também uma certa ambivalência por parte do marido: as mesmas qualidades femininas que ele idealizava aos vinte e poucos anos, são agora rejeitadas por ele como atitudes destinadas a aprisioná-lo; e se a mulher reage como “santa”, ele acredita que ela está tentando atraí-lo de volta como um garotinho. O castigo mais simples que pode ser aplicado por qualquer um dos parceiros, é o alheamento: a pessoa pode deixar de escutar, de tocar, de interessar-se, ou de estar presente. A introspecção nesse período é natural: uma quebra da comunicação ou rompimento da intimidade é previsível, o que deixa qualquer ação sujeita a falsas interpretações. As esposas em geral ficam encarregadas da intimidade do casal, portanto são elas que levantam as questões desagradáveis. E as duas atitudes mais comuns do marido na hora de enfrentar uma disputa doméstica são retrair-se e jogar na defensiva. O homem, comparado à mulher, reage de forma exagerada ao estresse: para ele é muito mais difícil baixar a guarda do que para a esposa. O homem permanece mais tempo zangado ou vigilante, até ter uma oportunidade de se vingar: física ou simbolicamente.

O casal pode aumentar muito as possibilidades de viver em harmonia procurando ajuda para aprenderem a se comunicar e a resolver seus conflitos sem ameaças, e também a lidarem com suas expectativas inevitavelmente diferentes quanto ao casamento: ao reconhecerem o desconforto e trabalharem juntos para solucionar o problema, há uma explosão de ideias criativas.


42 a 49 anos (II)

O ciclo de vida é composto por setênios, isto é, fases da vida que duram aproximadamente sete anos. Em cada fase acontece algo significativo em nossas vidas, essas fases são chamadas também de “passagens” ou “crises previsíveis” da vida. A vivência de cada fase depende da idade psicológica de cada indivíduo. Não podemos deixar de viver essas fases, apenas podemos postergá-las porém à custo de sofrimento decorrente de crise sobre crise. Então viva plenamente a fase em que você se encontra !

Para apresentar uma síntese de cada fase da vida menciono os estudos de Bernard Lievegoed e Gail Sheehy:

Para o homem, a luta nesta fase representa derrotar a estagnação através da generatividade; para a mulher, a tarefa consiste em transcender a dependência através da auto-afirmação. Somente agora é que o indivíduo se confronta com o lado sexualmente oposto de sua natureza. Na maioria, o homem nega o que é ambíguo e contraditório em sua natureza. Estão sempre em guarda contra o que ele percebe ser os dois grandes perigos: o de sucumbir ao seu lado feminino, tornando-se um “maricas”; e o de afirmar a sua masculinidade por meio de repetidos atos de agressão ou autodestruição, tornando-se “assassinos” (nem todas as partes suprimidas de si mesmo estão ligadas à papéis sexuais). Estar aberto à intimidade depende de uma forte identidade, que inclui um firme sentido de sua identidade sexual. Sempre que a auto-imagem sofre um abalo, como acontece durante toda passagem, pode-se esperar que sua capacidade de intimidade também se desagregue. Para emergir da luta, seu lado sexualmente oposto tem que ficar consciente.

Os poderes atribuídos a seus parceiros(as) têm que ser esquecidos, as projeções retiradas. Compreender que sua segurança não reside em nenhuma outra pessoa lhe dá força para encontrar segurança dentro de si mesmo; e assim que sua individualidade deixa de estar em perigo, pode-se dá-la a outra pessoa. Do contrário, se a crescente voluntariosidade da mulher e a reprimida sensibilidade do homem não forem tornadas conscientes, e poderem exprimir-se livremente, elas virão à tona de alguma outra maneira, desagradável. O indivíduo é confrontado com sua própria solidão absoluta; e se puder atirar a culpa de sua falta de unidade sobre o cônjuge, um chefe, a sociedade ou o estado lamentável do seu gênero, pode manter afastada a sensação de isolamento que sobrevém com a consecução da plena independência. Renunciando à ilusão, ganha-se a plena libertação de sua personalidade livremente autêntica. Não existe nenhum outro protetor com ele dentro da escuridão da mente; não existe ninguém que sempre tome conta dele, e ninguém que jamais venha a abandoná-lo.

Atualmente, o homem depende de habilidades que vão desde a força bruta até a delicada empatia, e não é mais necessário ou útil continuar trancado em estereótipos onde a escolha se reduz a uma entre duas opções; esses estereótipos levam apenas à alienação de si próprio. Novos ideais de masculinidade são indispensáveis para o saudável funcionamento de qualquer cultura, para dar aos homens um propósito na vida independente da sua idade, e necessários para unir os homens psicologicamente à família e à comunidade.

A mulher há muito tempo vem desafiando todos os estereótipos com os quais foram criadas: os papéis limitados, as regras punitivas de gênero, os mitos da idade antiquados; e é mais feliz na meia-idade. A mulher realizada é segura e se sente independente: ela já aprendeu o que realmente importa na vida… e confia no seu próprio discernimento; não sente medo de “errar”, não se preocupa com o que os outros pensam dela, e tende a dizer o que pensa; entre as solteiras, é comum sentirem receios por não poderem se arriscar profissionalmente como na juventude; e quanto à maternidade, há as que acreditam que podem protelar indefinidamente a decisão de ter um filho: elas podem desligar o relógio biológico e confiar na tecnologia; enquanto isso, elas se contentam com um cachorro. Porém, quanto mais o indivíduo entra no território não-tradicional ou em estilos alternativos de vida, mais inseguro e ameaçado se sente. E, quando se adia indefinidamente quaisquer compromissos ou opções sérias, acaba-se sem ter certeza de nada.


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